quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Pontuação ENEM - Modelo logístico: TRI

Criada na década de 1950 nos Estados Unidos, a TRI envolve psicologia, estatística e informática. Os especialistas enumeram vantagens na sua utilização para elaboração de exames como o Enem: provas aplicadas em momentos diferentes podem ser comparadas, o conhecimento de cada aluno é avaliado de forma mais precisa e não há necessidade de aplicar as provas no mesmo dia para milhares de candidatos.

Essas mudanças em relação ao jeito clássico das avaliações – soma de acertos – são possíveis graças ao foco da teoria: o item. Quem elabora as questões precisa se preocupar em medir níveis de conhecimentos diferentes pelas perguntas. Em uma mesma prova, é importante que elas variem: sejam fáceis, medianas e difíceis. Além disso, esses itens têm de conseguir separar quem sabe o conteúdo de quem tenta acertar no chute.

“Há três parâmetros importantes considerados em cada item: o grau de dificuldade, a discriminação do item e o acerto casual”, afirma Dalton Francisco de Andrade, professor titular do Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “O modelo logístico da TRI calcula a probabilidade de um candidato acertar aquele item a partir do conhecimento que possui (dificuldade) e o conhecimento mínimo necessário para responder a questão (discriminação), e avalia o padrão de respostas do aluno na prova, para ter certeza de que ele não está acertando ao acaso”, define.

Para saber se os itens cumprem os requisitos, é preciso testá-los. Depois dos pré-testes, as questões podem ser eliminadas, reformuladas ou incorporadas a um banco de itens, que deve ser constantemente atualizado. A proposta do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é construir um banco com milhares de itens. “Com isso, poderíamos fazer inúmeras provas distintas”, explica o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto.

As questões do Enem fazem parte do Banco Nacional de Itens, que reúne também outras avaliações aplicadas pelo Inep, como a Prova Brasil e o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Empresas são contratadas para criar os itens e aplicá-los em testes para estudantes de todo o País, que não sabem que estão "experimentando" perguntas de exames. Só este ano, o Inep contratou a aplicação de 100 mil provas. O Inep não divulga os detalhes desses processos.

Neto ressalta que a qualidade das provas, ao longo dos anos, pode variar. O que não muda, ele garante, é a capacidade de comparabilidade das avaliações por conta dos parâmetros adotados na seleção das questões. O objetivo é que o banco seja formado por itens cada vez melhor elaborados. Por isso, avaliadores do Inep estão passando por treinamentos com o professor Andrade, um dos maiores especialistas do País no tema.

“Quanto melhor o instrumento, mais precisa a medida. Quanto mais as pessoas forem aprendendo a teoria, melhor será o instrumento”, diz Andrade. No Brasil, a TRI começou a ser utilizada em avaliações em 1995. Naquele ano, ela foi incorporada ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), instrumento que avalia a capacidade de leitura e escrita das crianças brasileiras.

Mudanças futuras

A informática foi fundamental para que os especialistas em TRI conseguissem colocar em prática as potencialidades teóricas da metodologia. Hoje, sistemas de computador sofisticados são utilizados para armazenar, classificar e elaborar os testes. A teoria permite, inclusive, que as provas elaboradas com base na TRI se tornem individualizadas, quando adaptadas para computador. É o caso da certificação de proficiência em inglês TOEFL. E esse é o futuro do Enem.

Neto lembra que os objetivos da mudança no modelo do Enem eram tornar os testes mais qualificados, comparáveis ao longo do tempo e, aos poucos, deixar de provocar a operação gigantesca atual. Mais de 4 milhões de estudantes têm de fazer o exame no mesmo dia, o que envolve milhares de pessoas trabalhando na aplicação e segurança dos testes e na correção dos mesmos. Avaliar a qualidade do ensino médio ainda não está nos planos. “O Enem é um exame voluntário e temos de tomar cuidado com isso”, destaca.

Foto: Arte iG / Ilustração: Gabriel Silveira
Inep estuda mudanças no exame

O Inep já estuda como adaptar o Enem para testes computacionais. Desse modo, a avaliação se adaptaria ao nível de conhecimento dos estudantes. A cada acerto de um item fácil, o estudante receberia o próximo com um nível de dificuldade um pouco maior ou, em caso de erro, um mais fácil. Para isso, o sistema precisa de um variado e numeroso banco de itens. “Esse é o futuro. É o jeito mais adequado”, afirma Rubem Klein, pós-doutor em estatística.

Críticas

Para os especialistas, o que falta agora é entender o que significam as notas do Enem. Por enquanto, professores e estudantes não conseguem compreender, a partir das médias, se os conceitos que alcançaram são bons ou ruins. Andrade explica que, em toda avaliação que utiliza a TRI, é preciso criar uma escala de medida, como em um termômetro. “A decisão é arbitrária mesmo, no sentido de que a gente precisa definir um ponto de partida. A partir daí, vamos fazendo as comparações”, diz.

Em 2009, o Inep definiu que o ponto de partida seria a nota 500. Essa foi a média obtida pelos concluintes que realizaram as provas objetivas. Mas não é possível saber se essa pontuação traduz que os estudantes demonstraram pouco ou muito conhecimento. “Agora, uma equipe de especialistas precisa analisar o nível dos itens acertados e errados e ponderar as notas. O Inep ainda está devendo isso”, ressalta Klein, que é consultor da Cesgranrio.

Segundo Andrade, assim como os alunos, os itens que fazem parte do arquivo do Enem ganham notas. Elas representam o quanto de conhecimento a questão exige do candidato para respondê-la. “Por isso podemos comparar provas diferentes e interpretá-las. Realmente, essa é uma demanda ainda não atendida pelo Inep”, diz. O presidente do instituto diz que o órgão está trabalhando nessa interpretação, que é prioridade. Em breve, ela será divulgada.
 ·  ·  · há 2 horas

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

TEMA: REDES SOCIAIS e PUBLICIDADE

INSTRUÇÕES - REDAÇÃO
          PROPOSTA 1

Ao desenvolver seu texto é indispensável:
. abordar, necessariamente,  o tema da proposta, em prosa, observando que os
  textos apresentados devem servir apenas de subsídios à reflexão;
. inter-relacionar fatos, ideias  e argumentos;
  expressar-se com vocabulário apropriado e em estruturas linguísticas adequadas
  ao registro de língua padrão;
. limitar o texto a 20 linhas, no mínimo, e a 25 no máximo;
  escrever com letra legível (a redação que não puder ser lida, pelo menos   por
. 3 (três) avaliadores em virtude  de letra ilegível, receberá nota zero).
. A redação vale dez pontos.

A - Leia, cuidadosamente, os textos a seguir, lembrando que são apenas opiniões com o objetivo de iniciar a discussão sobre o tema a ser desenvolvido em sua redação.

TEXTO I

   Quando eu era pequena, mamãe falava muito em ilusão. Ilusão pra lá, ilusão pra cá, e finalmente chegamos ao Facebook, essa incomparável fábrica de ilusões.
   Num momento de carência absoluta comecei a aceitar todos os pedidos de amizade que me faziam. Juro, nem queria saber quem eram as pessoas, apenas ia apertando a palavra “aceito” ad eternum. Depois clicava numa janelinha e atualizava o número de amigos. Nossa, já passei dos duzentos, sou um sucesso, uma mulher de sorte.
   Eu me sinto como uma grande isca, sendo puxada por um peixe enorme e faminto, no caso o Facebook. Só que, graças a alguma força superior – amém – não sou sugada para o fundo porque atualmente tenho o hábito de parar para analisar até onde devo ir. E pensando, pensando com todo o respeito por meus amigos de Face (agora só se fala assim Face em vez de Facebook), concluo que não são todos eles que me interessam. Quero ter por perto apenas aqueles que guardam um pensamento bom sobre a minha pessoa. Os que vão me acalentar quando eu estiver triste, me afagar quando eu estiver carente. O resto? O resto se esvai no Facebook.
Bety Orsini,  O Globo, 09/10/2010.3

Redação

TEXTO II







 SaferNet Brasil. Ministério Público (adaptado) 


B -  Redija um texto de caráter predominantemente dissertativo sobre o seguinte tema: A identidade nos sites de relacionamento: “você nunca sabe com quem está falando”.

Dentre outros aspectos que você julgue necessários, observe, por exemplo:
. importância de sua comunicação com o outro;
. utilização de e-mail, facebook, orkut, blog, fotolog etc;
. privacidade e exposição pública;
. responsabilidade com os assuntos abordados;
. direitos e deveres do internauta.


Características a serem observadas no seu texto:
. pode apresentar passagens narrativas ou descritivas;
. deve conter informações de caráter pessoal sobre o assunto;
. deve permitir que o leitor  identifique, claramente, o tema central que está sendo desenvolvido;
. deve ser compreendido por diferentes tipos de pessoas;
. deve ser redigido em língua padrão.


Redação - PROPOSTA 2

A - Leia, cuidadosamente, os textos a seguir, lembrando que são apenas opiniões com o objetivo de iniciar a
discussão sobre o tema a ser desenvolvido em sua redação.

TEXTO I



(...) a “qualidade de vida” é uma resposta mais direta aos custos pessoais trazidos pela modernização capitalista no Brasil. Se ela produziu abundância material para os seus beneficiários, produziu também novas formas de raridade, especialmente o tempo, o espaço e a sociabilidade.
Por isso, hoje, os anúncios tendem a representar a vida feliz nesses termos: a natureza onde o espaço é abundante, o tempo livre do lazer e do ócio, a amizade, o amor, a família. A redescoberta das “coisas simples da vida” atenua o fascínio pelos produtos e serviços em si mesmos.
A  “responsabilidade social” e a “qualidade de vida” prometem uma reconcialização entre os interesses financeiros e a felicidade humana, em sua dimensão coletiva e pessoal.
A  publicidade, como a retórica do capital, transformous e   n e s s a   d i r e ç ã o ,   p a r a   c o n t r a b a l a n ç a r   o s   c u s t o s   d e   u m a modernização que  reproduziu a violência,  degradou o meio
ambiente, erodiu a sociabilidade e falhou em dar à vida algum sentido transcendente.

Folha de São Paulo. Folha Top of mind. 2010. (adaptado)5

TEXTO II